Guilherme nasceu no dia
15/01/1994 com Síndrome de Down, tivemos muita sorte no momento da
notícia, pois para muitas pessoas isso gera um trauma.
Naquela época era mais
difícil saber se um filho seria Down do que hoje em dia. Eu só
fiquei sabendo quando ele nasceu.
Assim que soubemos, eu
e meu marido arregaçamos as mangas e já saímos atrás do que
devíamos fazer para ele desenvolver o melhor que pudesse.
A primeira indicação
foi a Clínica do Morumbi, aqui em São Paulo, onde ele foi avaliado
e começou seções de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia
Ocupacional, com alguns meses de vida.
Com dois anos fomos ao
Neurologista Dr. Salomão Schwartzman, que o acompanha até hoje. Ele
começou andar com dois anos.
Como eu trabalhava
nessa época ele entrou para escolinha com um ano e cinco meses,
ainda usava fraldas, mas logo em seguida conseguimos tirar juntamente
com a Escola.
Essa escola era de
ensino regular a mesma que minha filha Renata estudava. Os
profissionais da APAE que o acompanhavam me disseram que ele estava
muito bem desenvolvido e que eles indicavam que ele fizesse uma
escola regular e não especial.
A escola chamava-se
Domus Sapientiae, e foi muito importante no desenvolvimento dele em
todos os sentidos. No começo a Fono e TO iam até a escola para
passar para eles algumas dicas de como fazer certas coisas para o
entendimento ser mais fácil.
Nessa escola ele foi
alfabetizado na mesma época que todos os amiguinhos, só que ele era
um ano mais velho que eles, tinha feito oito anos.
Com três anos
Guilherme começou a fazer Equoterapia, como ajuda no tratamento de
Fisioterapia e foi até os 11 anos quando já participava de torneios
e trotava com seu cavalo.
Aos quatro anos começou
aulas de natação o que faz muito bem até hoje, nada quatro
estilos.
Ele conseguiu falar com
frases com quatro anos e meio. Acho que essa foi a maior dificuldade
dele, falar.
Com nove anos começou
a Capoeira, que não pratica atualmente, mas gosta muito e sabe
jogar, inclusive tocou berimbau acompanhando muito bem o ritmo,
quando retomou a capoeira com uns catorze anos.
Outra dificuldade
encontrada quando ele tinha 10 anos foi que precisamos mudar de
escola onde ele estava desde bebê. Daí começou a luta atrás de
escola que o aceitasse, encontramos uma escola que era 50% de
crianças especiais e as matérias eram adaptadas. Essa escola fechou
um ano e meio depois e aí sim é que foi difícil encontrarmos
outra, regular, que fizesse inclusão. Depois de muito procurar e
receber não, consegui uma escola menor chamada Mosaico, que o
aceitou no mesmo ano que ele já havia cursado antes. Então repetiu
o 4º ano e ficou nessa escola até os 16 anos quando se formou no
ensino fundamental.
Na escola regular
enquanto todos são pequenos quase não existe discriminação, mas
quando se tornam adolescentes, aí as coisas complicam. Normalmente
nessa época só os amigos que vem em casa, mas não convidam ele
para sair ou ir a casa deles.
No Mosaico ele
formou-se no 9º ano em 2010 e em 2011 decidimos que ele iria parar,
pois a escola que ele estava era muito exigente e ele e os pais
estavam bastante cansados.
Procuramos uma escola
especial, pois também nessa época estávamos sentindo a necessidade
dele conviver com mais pessoas com Síndrome de Down para poder fazer
mais amizades e quem sabe achar uma namorada que é seu objetivo
atual.
Essa associação que
ele começou a frequentar chama-se ADID (Associação para o
desenvolvimento Integral do Down), lá ele entrou para o Teatro
convencional, teve aulas de cidadania (onde aprendia sair de ônibus,
mexer com dinheiro fazer tabelas no computador, etc..), também
começou noções de culinária.
A primeira peça que
estreou no teatro convencional foi “Sonhos de uma noite de verão”
de William Shakespeare, e foi apresentado no teatro do SESI –SP, na
Av.Paulista.
Através do teatro foi
convidado para participar de um filme curta metragem que ainda não
saiu o DVD.
Foi nesse mesmo ano de
2011, que ele começou a participar do Programa Chefs Especiais e o
teatro dos menestréis, só para pessoas com Síndrome de Down.
Nesse programa Chefs
especiais, um chefe famoso é convidado a cozinhar com 15 Downs,
normalmente é feito em espaços de gastronomia cedidos para os Chefs
Especiais.
Em 2011 quando saiu da
escola regular e ficou só na ADID, ele queria realizar três sonhos:
Cozinhar, fazer teatro e fazer maquiagem. Conseguimos que ele
experimentasse dois desses sonhos que é cozinhar e fazer teatro, o
outro ainda estamos procurando.
Com essas experiências,
ele me disse que quer fazer faculdade de Gastronomia, então... Esse
ano de 2012 ele voltou para a escola regular e agora está cursando o
primeiro ano do ensino médio na rede pública, onde está se saindo
muito bem. Já no primeiro bimestre tirou notas muito boas, só
azuis. A escola é do governo e chama-se Oswaldo Aranha.
Atualmente, ele está
com 18 anos, adora cinema, passear, ir a restaurantes. Ele é muito
alegre e feliz. Tem Face book, faz pesquisas dos seus trabalhos
sozinhas no Google. Ele viaja de avião sozinho daqui de São Paulo
até Campo Grande.
Agora o seu grupo de
Teatro a Oficina dos Menestréis, está apresentando o espetáculo UP
3 No teatro Dias Gomes, aqui em São Paulo, casa cheia todo
espetáculo.

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